Após a denúncia sobre a interrupção dos atendimentos multidisciplinares voltados a crianças autistas e neurodivergentes, familiares seguem sem respostas oficiais da Prefeitura de Maceió. A paralisação dos serviços, que atendiam centenas de pacientes por meio da Pestalozzi de Maceió, continua gerando apreensão entre pais e mães que dependiam do acompanhamento terapêutico para o desenvolvimento dos filhos.
Desde a publicação da primeira reportagem, feita pela Folha de Alagoas, diversas famílias se manifestaram nas redes sociais relatando preocupação e indignação com a situação. Para muitos responsáveis, o impacto da interrupção vai muito além da simples suspensão de consultas, afetando diretamente o progresso das crianças.
Uma das mães relatou que o serviço vinha gerando resultados concretos no desenvolvimento dos pacientes.
“A interrupção do serviço trouxe um impacto significativo para as crianças e suas famílias. Havia engajamento, vínculo terapêutico e evolução consistente nas intervenções”, afirmou.
Outra mãe resumiu o sentimento de desamparo vivido pelas famílias diante da falta de explicações.
“Para onde vão nossos filhos?”, questionou.
Silêncio da gestão municipal.
Até o momento, não houve posicionamento público da Prefeitura de Maceió sobre a interrupção dos atendimentos nem sobre a possibilidade de retomada do serviço. O silêncio da gestão municipal tem ampliado a sensação de insegurança entre as famílias que dependiam do acompanhamento terapêutico.
O atendimento era realizado por equipes multidisciplinares formadas por fisioterapeuta, psicólogo, psicopedagoga, assistente social e educador físico, garantindo uma abordagem integrada no desenvolvimento das crianças. Com a paralisação, centenas de pacientes perderam o acesso a essa rede de cuidado e foram direcionados novamente para a fila de espera do CER IV.
Nos comentários e manifestações públicas, também surgiram questionamentos sobre possíveis motivações políticas por trás da suspensão dos repasses municipais. A Pestalozzi de Maceió é historicamente associada à atuação da vereadora de oposição Teca Nelma, o que levou algumas famílias a temerem que disputas políticas estejam influenciando decisões administrativas.
Para os pais e mães, no entanto, qualquer disputa política deve estar distante de um tema tão sensível quanto o atendimento a crianças com deficiência. Famílias e apoiadores da causa afirmam que crianças autistas e suas famílias não podem ser penalizadas por relações ou divergências políticas. O que essas famílias esperam do poder público é o cumprimento de sua responsabilidade com serviços essenciais de saúde, reabilitação e inclusão.
Enquanto não há definição sobre a retomada dos atendimentos, permanece a angústia de centenas de famílias que seguem sem saber quando, ou se, seus filhos voltarão a receber o acompanhamento terapêutico que vinha garantindo avanços importantes em seu desenvolvimento.


